ANGOLA

História: Das Origens à Independência

O território é habitado desde a Idade da Pedra, como mostram as pinturas rupestres ao longo da costa. Foi na Idade do Ferro que apareceram as primeiras migrações de povos mais desenvolvidos, os Bantu. Planta do CaféVindos do Norte, provavelmente da região dos Camarões, trouxeram com eles novas técnicas -- metalurgia, cerâmica e a agricultura -- totalmente adoptadas pelos nativos, criando a partir desse momento as primeiras comunidades agrícolas.A primeira migração de agricultores em Angola ocorreu lentamente, ao longo de muitos séculos, dando forma ás diferenças étnicas que perduraram até aos nossos dias. Este processo de fixação ocorreu até ao Séc. X, começando nessa altura a formação de grupos étnicos e a consequente formação de reinos. Alguns grupos étnicos como os Ovimbundu formaram vários estados mantendo a união, de um antigo mas comum passado embora por vezes um pouco longínquo. Provavelmente, as autonomias só ficaram definidas no Séc. XIII, mas só mais tarde, no Séc. XIX, o processo ficaria completo. Os reinos surgiram devido ao estabelecimento do poder centralizado num chefe com linhagem (Mani) que usando o seu prestígio e o seu poder económico, conquistou o respeito da comunidade. Os Estados formados são a prova da organização política da comunidade e apareceram em diferentes e distanciadas épocas. Enquanto o reino de Ndongo lutava com os Portugueses (Séc. XVI) para preservar a sua unidade, o Kongo estabelecia com a Europa relações comerciais regulares, o reino de Luanda ainda não tinha sido fundado. Em 1842, a frota Portuguesa chegava, comandada por Diogo Cão e desde logo muitas mudanças ocorreram na estructura social/económica das comunidades locais. Nos primeiros tempos da influência Portuguesa - finais do Séc. XV - havia uma boa relação entre o reino do Kongo e Portugal com trocas aparentemente proveitosas para ambas as partes. Durante o Séc.XVI os Portugueses desceram a costa até Sul e entraram no planalto até ao Norte do rio Kwanza chegando finalmente ao reino de Ngola (Ndongo) ao qual chamaram Angola. Supomos que a fundação de Ndongo se reporta aos Sécs.XIV/XV e que manteve uma interessante relação comercial com os seus vizinhos. Quando os Portugueses chegaram, no Séc.XVI, o Rei era Ngola Kiluanji. Mais tarde (1576 - 1605) os interesses Portugueses recaíram no grande potencial de minerais que possuía o Reino de Ndongo. Depois, entre 1605 e 1641 o propósito dos Portugueses virou-se para a liderança política do território, começando grandes campanhas militares de modo a conquistar o interior. A troca de escravos tornou-se no maior negócio dos Portugueses e dos Africanos. Este novo negócio provocou um êxodo de trabalhadores, o que fez com que os campos ficassem sem trabalhadores, causando uma grande instabilidade social e política nas comunidades locais. O Rei de Ndongo - Ngola Kiluanji -- depressa disse não à submissão perante a Coroa Portuguesa, provocando fortes movimentos militares de forma a recuperar o poder à força. O controlo daquela área iria possibilitar a captura de escravos. Os chefes de Ngola resistiram devido à ajuda da Rainha Njinga Mbande, considerada uma excelente política e o seu poder permaneceu durante décadas. O controlo do território, contudo, não era tarefa fácil Os Reinos de Matambe e Kassange mantiveram a sua independência até ao Séc.XIX. Em 1617, Manuel Cerveira Pereira chegou à costa Sul, submetendo os sobas de Mudombe e Hanha ao seu poder e fundaram o Reino de Benguela. Aqui, tal como em Luanda, existia uma pequena colónia administrativa. As lutas territoriais pelas terras de áfrica envolveram países económica e militarmente mais fortes como a França, a Inglaterra e Alemanha, o que provocou grandes problemas para Portugal. Assim, Lisboa começou a sentir necessidade de um controlo mais eficaz do território conquistado e também de reconstruir a sua política colonial tendo como meta uma permanente ocupação do território. A partilha do continente iria dar-se mais tarde durante a Conferência de Berlim. Em 1869, os territórios controlados pelos Portugueses, Angola e Benguela, tornaram-se numa unidade, com o estatuto de Província. Antes desta data, o grande acontecimento foi a abolição da escravatura. Esta, no entanto, não desapareceu tão rapidamente como se esperava. Houve períodos de mudança, durante os quais ocorreram grandes abusos e o tráfico aumentou, com a consequente revolta da população . Dizem alguns historiadores que no final do Séc.XIX, a presença dos Portugueses no território era amorfa, não oficial e algumas vezes um caos. A presença de competição europeia tornou-se mais forte desde que estes trataram da ocupação do território de uma forma organizada. Esta nova situação obrigou as autoridades portuguesas a fazer expedições com o objectivo de reconhecer e conquistar o resto do território. No entanto não foi uma tarefa fácil devido à resistência dos Reis do Kongo. As campanhas nos planaltos no início do século. revelaram a resistência da população e o poder dos Reis do Bailundo e de outros Reinos independentes o que se tornou num obstáculo para o controlo completo do território até ao fim do primeiro quarto do Séc.XX. Em mais nenhuma parte da áfrica tropical, qualquer poder colonial teve de usar tantos homens durante tanto tempo para afinal conquistar tão poucos inimigos - enfatiza o historiador Palissier. Além do longo e difícil estabelecimento, o final do Séc.XIX iria marcar a organização de uma administração colonial de acordo com o espaço e com os homens a ser controlados. A estratégia escolhida para controlar a economia era baseada principalmente na agricultura e na exportação de matérias - primas que a colónia produzia. O comércio de borracha, marfim e outros bens, deram grandes lucros a Lisboa, incluindo impostos cobrados à população. O início do Séc.XX, marcou outras mudanças na política portuguesa em Angola. A Coroa, apesar dos fracos recursos, decidiu desenvolver a colónia, mas não o fez de uma forma muito convincente. A queda da Monarquia em Portugal e uma favorável situação internacional levaria a novas mudanças, para um nível administrativo, educativo e agrícola. O Estado Novo nasce e estende-se a Angola desde logo. Para os novos líderes, Angola era mais uma Província Portuguesa. A presente situação era aparentemente calma. No segundo quarto do Séc.XX, esta situação calma tornou-se agitada com a criação de movimentos nacionalistas. A formação de organizações políticas começou na década de 50 com a defesa dos seus direitos. Promoveram várias campanhas diplomáticas mundiais gritando pela Independência. O poder colonial insistia, no entanto, em não abdicar das propostas das forças nacionalistas, provocando conflitos armados directos, a Força Armada. As organizações mais conhecidas envolvidas na luta são o MPLA (Movimento Popular da Libertação de Angola) fundado em 1956; FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) que surgiu em 1961 e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) em 1966. Depois de muitos anos de guerra, o País alcança finalmente a Independência a 11 de Novembro de 1975.

(O artigo acima foi transcrito da página sobre história do site Netangola.)

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